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3 de Abril de 2020
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    ONG quer proibir pesca de tubarões - Jornal do Commercio (Cidades)

    JUSTIÇA Após quatro animais serem recentemente fisgados no litoral, associação vai entrar com ação civil pública para tentar frear captura

    A Associação de Defesa do Meio Ambiente de Pernambuco (Ademape) vai entrar com ação civil pública no Ministério Público Federal (MPF) para proibir a pesca de tubarões no Estado. O ato pode ser considerado uma resposta à recente captura de quatro animais em praias do litoral metropolitano, mês passado. A expectativa da ONG é encaminhar o material à Justiça na próxima semana. Das espécies fisgadas, uma (o tubarão lixa, cientificamente chamado Ginglymostoma cirratum) está na lista de peixes e invertebrados marinhos ameaçados de extinção (Instrução Normativa nº 5, de 21 de maio de 2004).

    O presidente da associação, Manoel Tabosa, explica que as espécies estão sendo capturadas de forma irregular. "Os animais estão em seu habitat natural, à procura do estuário para procriar. Imaginar que matando os tubarões diminuirá o número de ataques é a maior ignorância", afirma Tabosa. As espécies apontadas como responsáveis pelos ataques no litoral do Estado são o tigre e o cabeça-chata.

    Para reforçar a iniciativa, a Ademape busca apoio de ONGs nacionais e internacionais, como o Greenpeace e o WWF (sigla em inglês para Fundo Mundial para a Natureza).

    "Não tinha conhecimento da iniciativa, mas acho super bem-vinda. A captura de tubarões gera um desequilíbrio e afeta a diversidade das espécies aquáticas. A caça está acarretando a queda da população de espécies consideradas raras e que nada têm a ver com os ataques", explica o presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo de Elasmobrânquios (Sbeel), Francisco Marcante. Elasmobrânquios são raias e tubarões.

    Segundo o pesquisador, no próximo ano será publicado documento atualizado com a lista dos animais aquáticos ameaçados de extinção. O texto irá substituir a Instrução Normativa nº 5, que deveria ter sido revista desde 2009. "Algumas espécies já desapareceram do litoral brasileiro e também estão sumindo do Estado. O tubarão cabeça-chata, por exemplo, será um dos que provavelmente estarão incluídos na nova lista", afirma Marcante.

    A captura dos tubarões, seguida da morte das espécies, é apontada como retrocesso para controlar os ataques. "Abriu-se uma verdadeira temporada de caça aos animais e a falta de informação por trás disso ainda é o maior problema", observa Manoel Tabosa.

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